ESTILO ALTERNATIVO
ESTILO ALTERNATIVO
PETRÓLEO BARATO

Todos se queixam dos altos preços do petróleo, mas na realidade não reflete os custos ambientais e ainda é insuficiente para promover as mudanças necessárias para um futuro menos catastrófico da humanidade, alertam especialistas. A alta “brutal e rápida” do preço do petróleo nos últimos anos não gerou mudanças que apontem para uma indispensável “regulamentação” do sistema econômico global, mas para uma “adaptação”no sentido de manter o status quo.

A demanda por petróleo continuará crescendo pela “disseminação do  padrão de consumo ocidental, especialmente na China e Índia”, e pelo barateamento dos automóveis, cuja indústria prevê que “somente sobreviverão as indústrias globais que os produzirem a US$ 2.500, acentuando a opção pelo transporte individual”. Além do novo nível da demanda por alimentos e energia no mundo, a lógica do capital sempre promove “mais destruição criativa”, com equipamentos e produtos se convertendo descartáveis em “ciclos tecnológicos cada dia mais curtos” e em uma contínua renovação, que exige mais energia e matéria-prima.

O “único sintoma” do impacto petrolífero é a inflação generalizada, mais evidente no caso dos alimentos, refletindo a “dependência sistêmica do petróleo”, sem que a crise seja suficientemente profunda para promover uma revisão da lógica. Os aumentos dos preços do petróleo, cobre e aço fazem parte de um fenômeno novo que deve perdurar. Antes, os países  em rápido crescimento econômico, como os chamados quatro tigresasiáticos (Hong Kong, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan), se industrializavam com base na mão-de-obra barata “que acabava” quando se chegava a um certo nível de desenvolvimento importante. Com isso seus cidadãos conseguiam acesso social e dessa forma o processo se estabilizava. Mas isso já não acontece dessa maneira.

A China, com 1,3 bilhão de habitantes, representa uma “força estrutural, uma demanda em crescimento sem freio à vista”. É que sempre há “novas chinas” para repetir ou manter o processo, “modernas e subdesenvolvidas ao mesmo tempo”. É algo “sem precedentes, que torna inútil a história” para fazer comparações. Assim, a China continuará competitiva na indústria têxtil, enquanto antes este era um setor que emigrava para países mais pobres e de salários menores.

Brasil, Argentina e Chile vivem de suas exportações para a China, cuja demanda por cobre e outras matérias-primas tende a continuar crescendo por tempo indefinido, com persistência dos preços elevados. Com uma  demanda crescente assegurada, a alta do valor do petróleo não pode ser confundida com as chamadas “bolhas” especulativas, que seriam desfeitas com a alta dos juros. Mas os altos preços podem produzir uma recessão no curto prazo, alentando a substituição por outras fontes energéticas no longo prazo.

O Brasil é um dos países que se beneficiará com esta situação por dispor de muitas matérias-primas e fontes de energia, incluindo as novas jazidas de petróleo descobertas a grande profundidade em sua zona marítima de exclusão, que logo o converterá em exportador desse combustível. Em 1973 e 1979, o Brasil foi o mais atingido pelo súbito aumento dos preços nos mercados internacionais do petróleo, devido à sua grande dependência externa, fato que levou à iniciativa pioneira de um amplo programa de produção de etanol a partir dacana-de-açúcar, para substituir a gasolina cara mas, aproveitar essa oportunidade exige “força de trabalho formada”, preparada para o trabalho coletivo e o uso de tecnologias, além de matérias-primas e energia barata, fatores que favorecem o Brasil, mas não a África que também sofre outro obstáculo que é a escassez de minério de ferro.

No curto prazo os altos preços do petróleo não irão alterar o sistema, mas conduzem a uma recessão econômica mundial. No longo prazo, perdurando a alta e se confirmando que a produção mundial de petróleo chegou ao seu limite, a substituição por outras fontes energéticas produziriam uma “nova revolução industrial”. A grande esperança de energia abundante e não contaminante, o hidrogênio, somente será viável economicamente por volta de 2020.


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LISTA DE COMPRAS ECOLÓGICA

Antes de comprar alguma coisa, responda o questionário abaixo:

  • Eu preciso disso?
  • Quanto disso eu já tenho?
  • O quanto eu utilizo?
  • Qual sua durabilidade?
  • Há algo que eu já possua que eu possa usar com substituto para isso?
  • Posso fazer o que pretendo sem usar isso?
  • Sou capaz de limpar e/ou fazer a manutenção disso?
  • Desejo fazê-lo?
  • Sou capaz de consertar isso?
  • Pesquisei por qualidade e preço antes de comprar?
  • Como irei me desfazer quando não mais utilizar?
  • Os materiais de que é feito são renováveis?
  • É feito de materiais recicláveis, e é reutilizável?


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    COMO SURGE A EXISTÊNCIA? AS ERAS PSÍQUICAS DA HUMANIDADE

    Um observador pode dizer que o que guia o curso do processo evolutivo dos seres vivos são as preferências, os gostos e desejos que orientam e definem a cada instante o que fazem esses seres vivos em seu fluir relacional-operacional. Pode dizer, também, que fazem isto seguindo o curso de interações que conservam o bem-estar, vívido como a coerência psíquica-corporal com o meio ambiente que conserva o viver, e que quando isto não acontece o ser vivo morre.

    Neste sentido, o processo da história evolutiva que deu origem aos seres humanos não foi diferente do de outros seres vivos, e, provavelmente, como estes, seguiu um curso definido, instante a instante, pelas preferências, pelos gostos e desejos e, ainda pelas vontades. Isto é, pelas configurações sensoriais-relacionais que um observador vê em um organismo como suas emoções.

    Um ser humano flui normalmente em seu viver em um espaço de coerências estruturais sensoriais e relacionais no qual suas interações o orientam momento a momento ao bem-estar psíquico-corporal, embora também possa viver, transitoriamente, e às vezes por longo tempo, em espaços de mal-estar que, se não desaparecem, acabam com seu viver.

    Se este ser humano é movido pela curiosidade, pode se perguntar “o que é o viver que morre?”, “como surge a existência?”, “qual é o ser de todas as coisas?”, ou se pergunta, quando tem uma dor fisiológica, “por que tenho esta doença tão longa e dolorosa”, ou faz reflexões sobre uma dor relacional como “sinto que não posso me comunicar com meus filhos”, “tudo que faço é em vão”, ou faz reflexões como “gosto de viver o que estou vivendo?”, “quero o querer que quero?”, “como se faz para recuperar o encanto da minha vida, a alegria, a paz, a harmonia que alguma vez senti?”.

    Estas perguntas reflexivas abrem o olhar e expandem a consciência das coerências sistêmicas do nicho psíquico-relacional, que vai surgindo com o viver e que terão, segundo vivam, profundas conseqüências na antroposfera que habitamos e, por fim, na própria biosfera. A partir da reflexão em torno destas perguntas, propomos olhar a evolução do humano abstraindo o que, de sua história biológica-cultural, nos mostram as sensorialidades e emoções fundamentais que a guiaram.

    Assim, falamos de eras psíquicas para evocar as configurações do emocional do viver cotidiano que, segundo nosso parecer, caracterizaram diferentes momentos da história humana como distintos espaços psíquicos ou distintos modos de habitar quando se deram, e, de onde se derem, todas as dimensões do conviver relacional. Propomos que esse conviver relacional foi vivido, em cada instante de cada era psíquica, como um presente em contínua mudança, no qual o fluir do emocional surgia do cenário histórico-operacional e filosófico-epistemiológico imperante.

    O que dizemos com esta afirmação é que, em cada momento das epigêneses histórico-operacionais que configuram as distintas eras psíquicas da humanidade, o ser humano conservou diferentes desejos, teve distintos gostos e preferências cujo fundamento esteve determinado pelo habitar do presente que se vive. Assim, as distintas eras psíquicas da humanidade se correspondem, segundo nosso pensar, com a dinâmica histórica de transformação integral da psique humana, desde sua concepção, passando pela infância, juventude, fase adulta e maturidade reflexiva, que se configura a cada instante pela maneira como se vive, para onde se orienta e como se entende a natureza e o sentido do humano em sua pertinência à biosfera.

    Na visão mítica, este transcorrer da vida humana, da concepção ao seu fim, ocorre como uma dinâmica recursiva, na qual a sabedoria da maturidade leva ao começo de uma nova história psíquica na geração seguinte, que pode ser mais desejável porque implica a possibilidade da repetição do ciclo, mas com um deslocamento ampliado da consciência em uma coerência maior com o mundo natural. O suceder das eras psíquicas da humanidade do qual falamos realiza um ciclo mítico e possibilita um espaço reflexivo que no fundo é conhecido e re-conhecido a partir do próprio viver no conviver.

    Este suceder de eras psíquicas ocorre desde a era arcaica, na origem do humano, até era pós-pós-moderna, na qual se recupera a consciência e as ações à mão, perdidas no transcorrer histórico, da pertinência humana à biosfera, o cenário de existência no qual é possível e ocorre o humano. Recuperar esta consciência torna possível abrir e ampliar o olhar sistêmico recursivo, que é constitutivo do humano, como um ser vivo que pode refletir sobre seu próprio viver e os mundos que gera nesse viver.

    Que a história psíquica do habitar humano possa ser evocada como uma dinâmica cíclica no fluir mítico do nascimento, morte e renascimento, para que ao falar do suceder das eras psíquicas possamos falar de um processo que volta ao início em uma transformação consciente da consciência de pertinência ao viver e conviver em coerências sistêmicas, abrindo, assim, o caminho de fazeres oportunos que se constituem em ponto de partida para um novo ciclo.

    Esta dinâmica mítica cíclica é conhecida de todos em torno da preocupação pela morte, e tem diferentes expressões ao longo da história humana, a partir da consciência do caráter cíclico dos processos do viver e da biosfera em que se dá nosso viver. É por isto que nosso habitar humano voltará a viver este processo na história cada vez que houver uma mudança de consciência fundamental, como o que agora, neste presente pós-pós-moderno, estamos começando a viver... Se assim desejamos.


    * Humberto Maturana e Ximena Dávila são fundadores do Instituto de Formação Matríztica. Maturana é um premiado biólogo chileno. Dávila é especialista em relações humanas e família. Direitos exclusivos Terramérica. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

    * Humberto Maturana e Ximena Dávila são fundadores do Instituto de Formação Matríztica. Maturana é um premiado biólogo chileno. Dávila é especialista em relações humanas e família. Direitos exclusivos Terramérica. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.



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    CONSUMO NO DIVÃ

    Psicanalista trabalha o peso dos aspectos emocionais nas decisões de consumo.

    Que razões levam as pessoas a gastar mais do que ganham? Por que compramos coisas que não nos serão úteis? Por que agimos por impulso na hora em que devíamos decidir com a razão? Afinal, por que temos dificuldade em ser consumidores conscientes? Os dilemas e angústias dos indivíduos na sociedade do consumo é o tema da entrevista que a redação do Akatu realizou com a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia do consumo e professora do curso extensão de Psicanálise e Psicologia Econômica, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

     Os principais alicerces da Psicologia Econômica 

    Próxima à Economia Comportamental e às Finanças Comportamentais, a Psicologia Econômica existe há mais de 100 anos na Europa e nos EUA, com ampla produção de pesquisa e bibliografia. Ela surgiu no final do século XIX, e foi usada pela primeira vez por um cientista social francês, Gabriel Trade. A teoria tem se desenvolvido bastante no exterior, mesmo assim ainda é uma área pouco difundida em nosso país. A Psicologia Econômica demonstra que as escolhas financeiras têm sua eficiência limitada pelas emoções das pessoas que decidem, e procura trabalhar esses conflitos. A economia por si só é racional, coisa que as pessoas não são.

    Nos anos 80 e 90 vivemos um período de descontrole da inflação e de grande turbulência econômica. Assistíamos aos sucessivos planos e pacotes que procuravam dar cabo dela sem sucesso. Percebi, nos meus clientes, como a situação econômica mexia, afetava as pessoas, as suas vidas e de suas famílias. Alguns desses clientes se davam muito bem com a inflação e outros, ao contrário, se davam muito mal. Percebi que aqui havia um terreno fértil para verdadeiramente desvendar os aspectos psíquicos dos fenômenos econômicos. Se por um lado, buscamos o prazer, de outro, precisa haver o reconhecimento de que os recursos para isso são limitados.

    O planejamento financeiro contempla a realidade financeira do indivíduo, quanto ele pode ou não pode gastar. Mas por que esse planejamento é tão difícil de ser seguido? Por que as pessoas têm de fazer a sua parte e não fazem? Simplesmente porque outros aspectos devem ser levados em conta, aspectos psicológicos, comportamentais e não apenas o racionalismo proposto pela economia. A verdade humana é exatamente o contrário disso, a razão é escrava da emoção. A Psicologia Econômica traz essa visão para complementar o planejamento financeiro.

     Numa sociedade voltada para o consumo, o prazer imediato é buscado de maneira incessante. Muitas vezes a realidade é frustrante e as pessoas acreditam que ao comprar um celular de terceira geração, vão encontrar a felicidade. Ao não encontrar a felicidade nas compras, vem uma frustração ainda maior. Para piorar, o endividamento desse indivíduo vai trazer mais angústias, criando um círculo vicioso.

     Como é possível atingir o equilíbrio entre prazer e realidade?

     É exatamente nesse equilíbrio, que reside o grande desafio. Esse é o foco, é o eixo do trabalho da psicologia econômica: colocar o indivíduo em equilíbrio com a realidade de sua vida. Todo mundo tem aversão ao sentimento de frustração, de perda e de finitude, que bem ou mal é o destino de todo ser humano. Sempre há uma carência interna difícil de escapar e alguns tentam resolver isso por meio de compras. As pessoas que são mais suscetíveis à compulsão, em geral, vivem uma angústia interna muito grande. Às vezes a pessoa pode ficar mais de uma hora em conflito se deve ou não comprar algo. Isso está muito longe de se transformar em felicidade. É preciso encontrar outras formas de lidar com a angústia.

    Os apelos de consumo e a sedução da publicidade

    Vivemos numa sociedade que pode ser definida como infantilizada. Estamos todos infantilizados. A cultura do endividamento, do crédito, do consumo, apela para sentimentos infantis. A publicidade não precisa fazer tanta força para nos convencer. Nós queremos ser enganados. Mesmo que no fundo todos saibamos que os momentos de satisfação são provisórios. É o modelo de comportamento do bebê que chora de fome e, se o leite demora a vir, começa a chupar o dedo. Com isso ele 'engana', durante algum tempo, o desconforto causado pela fome. A ação motora, nesse caso, tem o objetivo de 'descarregar' a tensão, mas não obtém leite realmente. Essa medida tem prazo de validade, e o bebê acabará por abandoná-la por se mostrar infrutífera para matar sua fome de fato. Mas enquanto durar, ele poderá se enganar, e se manter na ilusão de que solucionou o problema, modificou a situação.

    As pessoas precisam entender que os nossos recursos são finitos. Mas é muito difícil falar de questões ambientais, de sustentabilidade, para aqueles que nem mesmo conseguem cuidar de suas finanças pessoais. Em palestras que faço sobre psicologia econômica ainda tem muita gente que estranha a relação entre finanças e sustentabilidade.  É exatamente o sujeito que suporta, que agüenta estar em contato com a realidade. É aquele que tem noção de todo o processo, ou seja, a noção do quê os seus atos desencadeiam desde o momento que decide pela compra.

    Consumidor consciente

     É aquele que consegue fazer as suas escolhas com consciência do significado e das conseqüências de seus atos de consumo. O princípio é que você deve ser responsável pela sua própria vida e por todo o desencadeamento provocado por suas escolhas.  O nosso trabalho, além de buscar o equilíbrio pessoal, é contribuir para harmonizar a relação das pessoas com o meio em que vivem. Buscamos exatamente revelar em cada indivíduo, um cidadão que sinta-se capaz de fazer escolhas. O consumidor só tem poder se ele se sentir seguro de suas escolhas e da sua capacidade de dizer sim ou não.

     Para que uma pessoa adote comportamentos mais equilibrados nas suas relações de consumo

     Será preciso abrir mão da satisfação imediata. Mas só se consegue fazer isso após realizar um processo de autoconhecimento que permita fazer mudanças e tomar decisões que contribuam para uma vida mais equilibrada, psicologicamente e economicamente falando.

     Livros publicados pela autora:

    Psicologia Econômica – Estudo do Comportamento Econômico e da Tomada de Decisão (Editora Campus/Elsevier, Coleção Expo Money, 2008)

    Decisões Econômicas – Você já parou para pensar? (Editora Saraiva, 2007)

    Link para o trabalho da autora:  http://www.verarita.psc.br



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    Universitários não conhecem e não se interessam por sustentabilidade!

    Superficial. Essa é a profundidade do interesse e do conhecimento dos universitários brasileiros sobre sustentabilidade. A conclusão é dos universitários Giuliano Sorelli, 22 anos, e Carlos Canhisares, 25. Eles percorreram 12 universidades públicas e particulares para repercutir e estimular a discussão sobre o tema. Foram mais de 5 mil quilômetros rodados, de Porto Alegre (RS) a Brasília (DF), somando 9 estados. Organizada pela Aiesec – organização estudantil mundial –, a iniciativa recebeu o nome de Rota pela Sustentabilidade. Seu objetivo era ajudar a divulgar o I Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que aconteceu na semana passada na capital federal.

    A idéia original era chamar 3 mil estudantes para o fórum, solicitação feita pelo economista Mohammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006, que participou do evento. Ledo engano. “Tivemos mais de mil inscrições, mas durante o fórum apenas 130 estudantes compareceram, a maioria de Brasília”, explica Canhisares. “A porção que deveria se preocupar com a sustentabilidade fez pouco caso do assunto”, avalia Sorelli. “Na maioria das universidades, principalmente as particulares, as pessoas não conheciam o tema e nem o significado da palavra”, completa.

    Em todas as visitas, a pergunta era: “Você se considera sustentável?”. “Ouvimos muitos comentários como: ‘gostei muito de conhecer o assunto’, ‘agora vou começar a pensar sobre isso’”, lembra Canhisares. No entanto, a maioria dos estudantes que mais se interessaram, segundo ele, já trabalhava ou estudava assuntos relacionados, como geografia, biologia ou economia.  Apesar da falta de interesse dos universitários, uma parcela grande das pessoas que Canhisares e Sorelli conheceram no caminho foram mais curiosos. “Fomos abordados em restaurantes, postos de gasolina e até por guardas rodoviários. Não me lembro de uma pessoa que não se interessou pelo assunto”, comenta Sorelli.

    Os estudantes acreditam que poucas pessoas sabem explicar o conceito de sustentabilidade, mas quando o termo é associado ao dia-a-dia das pessoas isso faz com que elas próprias reconheçam suas atitudes. “A questão talvez seja a de decodificar o conceito em ações”, conclui Viviana Garcia, 22 anos, membro na Aiesec em Brasília. “O mais importante desta viagem foi tentar despertar nas pessoas a discussão sobre o tema sustentabilidade. Antigamente, pensar no futuro dos seus filhos era trabalhar e fazer dinheiro para ter uma casa e comida. Hoje, a questão é mais profunda e complexa que isso. Queríamos conscientizar as pessoas”, avalia Sorelli. “Porém, o tema ainda é novidade”, completa Canhisares.

    Os dois universitários visitaram 12 universidades e passaram pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Em Brasília, os 130 universitários participaram do fórum por um telão, no Clube do Exército, que transmitia simultaneamente as imagens do auditório onde aconteciam os painéis. O evento foi sediado dentro de um hotel. No final de cada apresentação, o grupo era autorizado a fazer três perguntas aos palestrantes.



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    VIVER MAIS SEM COMER MENOS

    Na década de 1930, cientistas demonstraram que uma dieta com poucas calorias retardava o envelhecimento, aumentando a longevidade dos animais. Agora, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram promover em camundongos os mesmos efeitos benéficos da dieta de restrição calórica sem precisar diminuir a quantidade de alimento. A estratégia consistiu em tratar os animais com uma droga que diminui o aproveitamento energético das mitocôndrias. Além de aumentar em cerca de 10% a longevidade, o tratamento reduziu os índices ligados à síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade.

    O estudo, coordenado por Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP, foi publicado no site e em breve sairá na edição impressa da revista Aging Cell. A mitocôndria é uma organela celular que, com o uso do oxigênio da respiração, converte a energia dos alimentos em energia química, ou trifosfato de adenosina (ATP), vital às atividades celulares. A estratégia utilizada se baseou no mecanismo conhecido como desacoplamento mitocondrial. “O desacoplamento consiste em diminuir a síntese de ATP mantendo a mesma quantidade de alimento”, disse à Agência FAPESP.

    O estudo tem apoio da FAPESP na modalidade Projeto Temático. Segundo a cientista, para sintetizar o ATP, a mitocôndria gera um gradiente de prótons – isto é, fica mais positiva do lado de fora do que em seu interior. Esse gradiente serve como fonte de energia para a síntese de ATP. “A droga que utilizamos, o dinitrofenol, diminui esse gradiente de prótons, deixando que alguns deles voltem para dentro da mitocôndria sem que haja síntese de ATP”, explicou. Esta droga é conhecido há muito tempo e, na década de 1930, já era utilizado como droga para o emagrecimento. Mas, apesar de eficaz, seu uso causava controvérsias, uma vez que a dose terapêutica estava muito próxima da dose tóxica.

    “O que fizemos foi utilizar o dinitrofenol em uma dose muito menor para mostrar que a diminuição do aproveitamento de energia da mitocôntria é capaz de prevenir os efeitos do envelhecimento”, afirmou Alicia. O estudo teve participação da professora Marisa Medeiros e das estudantes Camille Caldeira da Silva, Fernanda Cerqueira e Lívea Barbosa, que realizaram os experimentos. Segundo Alicia, o grupo já havia realizado um estudo semelhante, em 2004, em um modelo de envelhecimento de leveduras. “A partir daquele estudo em células in vitro resolvemos testar a estratégia em animais”, disse.

    O objetivo da pesquisa foi mimetizar os efeitos de uma dieta de restrição de calorias para diminuir o aproveitamento energético, mas sem reduzir a quantidade de comida ingerida. “Assim como os humanos, os camundongos tendem a engordar quando envelhecem. Os que foram tratados com o dinitrofenol, no entanto, ganharam menos peso à medida que envelheciam, apesar de comerem a mesma quantidade do que os outros”, afirmou. O ganho de peso, segundo a pesquisadora, está associado ao aumento dos níveis de glicemia, triglicérides e insulina, características da síndrome metabólica. “Nos camundongos submetidos à estratégia todos esses indicadores estavam diminuídos.”

    Lesões por radicais livres

    Segundo a professora do Departamento de Bioquímica da USP, o estudo não pretende sugerir o dinitrofenol como opção terapêutica, devido a seus efeitos tóxicos. “A idéia foi demonstrar que a manipulação das funções da mitocôndria é muito eficaz para controlar o envelhecimento e o ganho de peso”, disse. O estudo demonstrou também que a estratégia é eficiente para diminuir as lesões provocadas por radicais livres – outra das causas do envelhecimento.

    “À medida que envelhecemos, acumulamos lesões por radicais livres nas moléculas. Sabemos que a restrição calórica diminui a geração de radicais livres na mitocôndria, diminuindo também essas lesões. Comprovamos que o tratamento com o dinitrofenol também é eficiente para diminuí-las, configurando uma estratégia antioxidante muito mais eficaz que o uso de vitaminas, por exemplo”, disse. Um dos objetivos do grupo, a partir de agora, é modificar o dinitrofenol para gerar novas drogas que possam ser utilizadas para o desacoplamento mitocondrial.

    “Outra possibilidade é ativar vias naturais de desacoplamento presente nas mitocôndrias, como os canais para potássio, ou certas proteínas desacopladoras. Uma droga que ativasse essas vias seria muito interessante para promover, sem depender de nenhuma proteína, os efeitos que conseguimos produzir quimicamente”, destacou. Alicia salienta que a FAPESP acaba de aprovar novo pedido de bolsa de pós-doutorado para o Projeto Temático que coordena, de modo a dar continuidade a essa linha de pesquisa. “Estou selecionando candidatos. Além de continuar essa pesquisa aplicada, com fins farmacêuticos, queremos estudar os mecanismos e os processos celulares envolvidos no envelhecimento”, disse. 



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    Rede de intercâmbio conecta pessoas que querem doar com aquelas que querem receber

    Todo mundo tem, pelo menos, um objeto que não utiliza mais, mas ainda está em condições de uso. Isso quando não se trata de um monte de coisa que ocupa um cômodo inteiro, o famoso “quartinho de bagunça”. Ele acaba resistindo a toda iniciativa de arrumação, você não consegue encontrar alguém que se interesse por aquela “tranqueira”, tem pena de jogar fora, e o objeto continua lá, parado e ocupando espaço. Para resolver essa situação tão comum, surgiu o Freecycle Network .

    O Freecycle é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2003, a partir de um e-mail de Deron Beal, um norte-americano do Arizona, anunciando a criação de uma rede de contatos entre pessoas interessadas em doar artigos e outros interessados em recebê-los. A idéia se espalhou rapidamente, ultrapassou as fronteiras da cidade de Tucson, onde nasceu, e hoje está presente em 75 países, entre eles o Brasil. Atualmente, no mundo, são 5,15 milhões de usuários, divididos em 4.375 grupos locais. No Brasil, existem grupos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Curitiba, Porto Alegre e Uberlândia. A capital paulista já conta com mais de 500 usuários cadastrados. E, segundo Carlos Simões, moderador do grupo de São Paulo, recebe cerca de 20 novos participantes a cada semana.

    De acordo com os organizadores do site, o fato de os cadastrados no Freecycle doarem algo que jogariam fora evita que cerca de 300 toneladas de “lixo” sejam geradas, diariamente, ocupando aterros sanitários e lixões. Se esse volume fosse colocado em caminhões, após um ano, os veículos empilhados formariam uma montanha quatro vezes maior que o monte Everest.

    Para participar do Freecycle, o procedimento é simples. O interessado procura o grupo mais próximo de sua cidade e se cadastra. A partir daí estará fazendo parte da lista de e-mails desse grupo, que geralmente é moderado por um usuário voluntário. A pessoa que quer doar um objeto - pode ser qualquer coisa, desde que seja de graça, dentro da lei, e apropriado para todas as idades - envia um e-mail anunciando. Os interessados entram em contato com essa pessoa, que escolhe quem será o “presenteado” (se houver mais de um) e responde diretamente ao escolhido indicando o dia e o local onde o objeto poderá ser retirado. Em São Paulo, por exemplo, as ofertas vão de aparelhos de DVD necessitando apenas de conserto, a disquetes ou filhotes de cachorro.

    Para criar um novo grupo, o interessado deve atender a alguns pré-requisitos, como morar na área em que está criando o grupo e dispor de algum tempo para moderar as mensagens, além de outras qualificações que podem ser consultadas em http://www.freecycle.org/startagroup. Por ter sido o primeiro a trazer o Freecycle para o Brasil, Carlos Simões é sempre consultado pela organização norte-americana antes de autorizar a abertura de um novo grupo. Por isso, ele pode ser um bom canal para quem está interessado em organizar uma comunidade do Freecycle em sua cidade.

    O objetivo da rede é, além de estimular “um senso de generosidade” e fortalecer os laços comunitários, promover a sustentabilidade e o hábito da reutilização. A idéia é que as pessoas peguem apenas o que precisam e não aceitem a doação simplesmente porque é “de graça”. Isso vai contra as regras de etiqueta da comunidade, que pode passar a preterir essa pessoa em outras negociações, caso um comportamento indesejado seja identificado. Até porque ao pegar algo desnecessário pode-se estar impedindo que uma entidade sem fins lucrativos – como várias que fazem parte do site – tenha acesso a um bem. Sem falar no vários estudantes em busca de móveis ou objetos de utilidade para suas repúblicas.

    A idéia do Freecycle fez tanto sucesso que já ganhou concorrentes, entre eles o Freesharing.org, que surgiu como uma dissidência do original. Mas o único que tem grupos no Brasil, por enquanto, é o Freecycle.

    Acesse: http://www.freecycle.org



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    SITE FACILITA SERVIÇOS SOBRE SOFTWARE LIVRE

    Já está no ar um site que facilita o contato entre técnicos de softwares livres e empresas ou órgãos públicos que queiram implantá-los. A idéia é que o Mercado Público Virtual sirva de espaço comum para negociação de serviços ligados a 15 dos principais programas brasileiros nessa área. O lançamento oficial do cadastro de usuários está disponívels desde 20 de maio de 2008.

    Nesta fase inicial, o Mercado Público Virtual será uma espécie de guia para os 15 programas gratuitos disponíveis no Portal doSoftware Público Brasileiro, desenvolvidos para atender o setor público, universidades e pequenas e médias empresas.

    O foco do portal, administrado pela Secretaria de Inovações Tecnológicas, ligada ao Ministério do Planejamento, é principalmente o governo federal, de modo que os softwares foram desenvolvidos para atender as necessidades desse segmento. A adaptação e a instalação dos programas para outros mercados acabam, portanto, gerando oportunidades de negócios — e é aí que entra o Mercado Público Virtual.

    No Mercado Público Virtual, a pesquisa de prestadores de serviço pode ser realizada por Estado, tipo de serviço e software. O site nãose responsabiliza pela transação comercial, já que o processo de contratação será feito diretamente entre usuário e prestador.

    Para o PNUD, que coordena o projeto em parceria com a SLTI, a experiência pode ser utilizada em outro projeto da agência das Nações Unidas, a RCSLA (Rede Colaborativa de Software Livre e Aberto), criada para reunir e trocar experiências de softwares livres de países da América Latina e do Caribe.

    "A rede lançará uma campanha para internacionalizar um software público brasileiro, traduzindo-o para o espanhol, e hospedá-lo no site da RCSLA em uma estrutura semelhante à do Portal do Software Público Brasileiro, visando criar uma comunidade de desenvolvimento bilíngüe. Mais tarde, vamos fazer o inverso com um software público latino-americano, que será traduzido para o português", afirma o oficial de programa do PNUD Fausto Alvim. "Num segundo momento, devemos criar um mecanismo semelhante ao Mercado Público Virtual na nossa rede, para possibilitar o contato entre usuários e prestadores de serviço em toda América Latina."

    Acesse: Portal do Software Livre Brasileiro



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    60 PAÍSES ASSINAM COMPROMISSO DE DESMATAMENTO ZERO ATÉ 2020

    Ministros de meio ambiente de 60 países, mais a União Européia, se comprometeram com a Rede WWF em atingir a meta de desmatamento zero em 2020. O ato aconteceu na quarta-feira (28/5), durante a 9ª Conferênciadas Partes (COP9) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que está sendo realizada em Bonn (Alemanha). O Brasil não participou da ação, já que o novo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, só passou a participar da conferência nesta quinta-feira (29/5).

    O ano de 2020 foi proposto de acordo com o programa de trabalho de biodiversidade florestal da CDB, e soma-se às metas propostas em Bali, em dezembro de 2007, na última conferência da Convenção-Quadro das NaçõesUnidas sobre Mudanças Climáticas. Apesar dos esforços, as taxas globais de desmatamento continuam alarmantes. Calcula-se que 13 milhões de hectares são desmatados anualmente, o que equivale a 36 campos de futebol por minuto.O desmatamento e a degradação florestal implicam na perda de serviços ambientais vitais para o fornecimento de alimentos, remédios, proteção de nascentes e regulagem climática.

    “Nós temos que reverter a tendência de perda florestal, tanto pelo bem da natureza, quanto pelo bem do homem”, afirmou o secretário-executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf, que também assinou o comprometimento. “A iniciativa da Rede WWF é uma ótima notícia para a biodiversidade e um estímulo para as delegações reunidas em Bonn. Espero que a ação acelere a implementação dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica. Eu dou parabéns para a Rede WWF por essa contribuição única para aconservação da vida no planeta Terra”, disse ele.

    Confira os países que se comprometeram com a meta:

    Afeganistão, África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Benin, Bósnia-Herzegovina, Burkina Faso, Cambódia, Chade, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Ciprus, Dinamarca, Equador, Eslovênia, Finlândia, França, Gambia, Guatemala, Guiné Bissau, Holanda, Iêmen, Indonésia, Irã, Japão, Latvia, Lesoto, Libéria, Madagascar, Mauritânia, México, Namíbia, Nepal, Nova Zelândia, Nigéria, Omã, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, Quênia, Reino Unido, República Checa, Samoa, Senegal, Sérvia, Serra Leoa, St Vincent Grenadines, Suécia, Tajiquistão, Tanzânia, Timor Leste, Ucrânia, Uganda, Vietnã, Zâmbia, Zimbábue e União Européia.



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    A EMENDA 29 E A FÊNIX CPMF

    No tabuleiro do xadrez tributário da União, normalmente as peças se movem por pressão das necessidades orçamentárias federais, na maioria das vezes sob a bandeira de alegados impulsos ou reivindicações sociais. Agora,volta à baila a discussão da Emenda Constitucional 29, aprovada e publicada lá nos idos de 2000 e que determinava até 2004 os percentuais de aplicação de recursos no sistema de saúde. Como falta ainda uma lei complementar para regulamentar esta emenda, a regra que era transitória, persiste até hoje.

    A mudança constitucional vigente obriga a União a investirem saúde recursos que deveriam ser corrigidos anualmente pela variação nominal do PIB. Os estados ficaram obrigados a aplicar 12% da arrecadação de impostos,e os municípios, 15%.

    Agora, em razão de projeto de lei complementar aprovado no Senado, a discussão terminativa se encontra na Câmara. Buscando não fazer muito barulho, para não alardear uma medida que sofre rejeição indiscriminada de empresários, mídia e sociedade em geral, aliados do governo articulam a criação de uma nova Contribuição sobre Movimentação Financeira para sustentar parte desterepasse de verbas à saúde. A medida, segundo revelam as notícias dos últimos dias, faz parte de um acordo entre governo e líderes partidários para aprovar a regulamentação da Emenda.

    Num explícito jogo de cena, o Poder Executivo “passou abola” para o Parlamento, dizendo que não apresentaria proposta neste sentido. Mas suas lideranças assumiram publicamente a defesa do renascimento da fênix tributária, com percentuais anunciados entre 0,08% e 0,10%. Somente esta rubrica que anunciam como simbólica garantiria arrecadação adicional da ordem de R$ 9 a 11 bilhões ao ano.

    Já há inclusive rumores de que a nova contribuição seria rebatizada ou incluída no bojo da Cide – Contribuição de Intervenção no DomínioEconômico, mas daí com características de permanente e não “provisória” como anteriormente. A base governista pretende bancar a proposta, apesar das óbvias divergências internas, dentro de uma suposta estratégia do Planalto, que gostaria de dispor destes novos recursos para a saúde, sem que o presidente da República assuma o desgaste de propor um novo tributo, principalmente em ano eleitoral. Apesar de o governo já ter informado ao Congresso que a arrecadação federal deve terminar o ano com, no mínimo, mais R$ 16 bilhões, também está em estudo a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros e bebidas, com destinação específica para a saúde.

    Há um debate instalado entre segmentos formadores de opinião e com influência no Congresso, obtendo uma quase unanimidade contrária a uma rediviva CPMF. Uma das principais razões diz respeito ao fato de que os cidadãos brasileiros já trabalham, segundo especialistas, de 1° de janeiro a 27de maio 148 dias – somente para pagar impostos. Outra é o que registra a história: primeiro criaram uma CPMF com alíquota reduzida, quase simbólica, só para o setor da saúde, depois deu no que deu: muitos abocanhavam fatias de sua arrecadação que já ultrapassava os R$ 40 bilhões anuais. E a sociedade pagando....

    * Vilson Antonio Romero é jornalista, servidor público,diretor da Associação Riograndense de Imprensa



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    DOS DEUSES PAGÃOS A SÃO JOÃO BATISTA

    O mês de junho, época de Solstício de Verão na Europa, ensejou inúmeros rituais de invocação de fertilidade, necessários para garantir o crescimento da vegetação, fartura na colheita e clamar por mais chuvas. Estes rituais, eram expressões que foram praticadas pelas mais diferentes culturas, em todos os tempos e em todas as partes do planeta.

    O espetáculo das grandes mudanças que nos oferece a natureza sobre a face da terra, sempre impressionou o homem e levou-o a meditar sobre suas causas, efeitos e transformações. Em certo estágio de desenvolvimento, acreditou ele, estar em suas mãos os meios de evitar uma calamidade em potencial e que podia interferir, apressando ou retardando a marcha das estações pela arte da magia. Com este pensamento fixo, passou a realizar rituais e a proferir palavras mágicas para o sol brilhar, os animais se multiplicarem e a vegetação ou colheita desenvolver-se.

    Depois de algum tempo, acabou por convencer-se que o crescimento e a decadência da vegetação e as alterações das estações, assim como a vida e a morte de qualquer criatura viva, dependiam da força e da vontade de seres divinos. Sendo assim, a velha teoria mágica das estações, foi complementada com uma teoria religiosa. Mas, mesmo associando estas transformações às suas divindades, achou que através de certos ritos mágicos, poderia dar uma ajuda ao seu deus, que era o princípio da vida na luta contra o princípio contrário, a morte. As cerimônias que realizava para alcançar este objetivo, não passavam de representações dramáticas dos processos naturais que desejava favorecer.

    Não obstante, os dois lados da vida, o vegetal e o animal, não estavam dissociados na mente daqueles que realizavam estes cerimoniais. Em verdade, eles acreditavam que existiam profundos laços que uniam o mundo vegetal ao animal e em funções disso,combinavam a representação dramática do renascimento das plantas a união dos sexos, objetivando estimular ao mesmo tempo e com um único ato, a multiplicaçãodos frutos, dos animais e dos homens. Para eles, o princípio da vida e da fertilidade, fosse animal ou vegetal era uno e indivisível. Alimento e filhos, eram o que os homens procuravam obter com a realização de ritos mágicos para regular as estações. Estes rituais de fertilidade, sendo muito importantes para todos os povos, perduraram através dos tempos e na "Era Cristã" não houve como apagá-los. E, a Igreja Católica, inteligentemente, ao invés decondená-los, adaptou-os as comemorações do dia de São João, que teria nascido em 24 de junho, dia do solstício.               

    Nos conta Frazer, em seu livro "O Ramo de Ouro", do início do século XX, que na Sardenha, os jardins de Adônis ainda são plantados na festa de Solstício de Verão, que lá tem o nome de festa de São João. Era costume, também, em 1 de abril um rapaz da aldeia se apresentar diante de uma moça e pedir-lhe para ser sua "camare" (namorada) e se oferecer para ser seu "compare". O convite era considerado como uma honra pela família da moça e aceito com satisfação. No final de maio, a jovem faz um vaso com casca de um sobreiro, enche-o de terra e nele semeia um punhado de trigo e cevada. Colocado ao sol e regado na devida freqüência, os grãos brotam rapidamente e, na véspera do solstício (23, junho, véspera de São João), já estaria bem desenvolvido. O vaso é então chamado de "erme" ou "nenneri". No dia de São João, o rapaz e a moça, acompanhados por uma comitiva e precedidos por crianças, vão em procissão até a igreja. Ali quebram o vaso e lançando-o contra a porta do templo. Sentam-se em seguida em círculo na relva e comem ovos e verduras ao som da música de flautas. Em seguida dão-se asmãos e canta, "Namorados de São João ( Compare e comare di San Giovanni) várias vezes, enquanto as flautas tocam durante todo este ínterim. Quando se cansam de cantar, levantam-se e dançam alegremente em círculo até a madrugada.

    Outro aspecto importante da festa do Solstício de Verão ligado ao nome de São João é a tradição de banhar-se no mar, nas nascentes, nos rios ou no sereno, na noite da véspera do dia da festa do Solstício. Em Nápoles, há uma igreja dedicada a São João Batista com nome de São João do Mar (San Giovan a mare). Este hábito é bastante antigo e, homens e mulheres acreditavam que no ato de banhar-se ficariam livres de todos os pecados. Nos Abruzos, ainda se acredita que água possua qualidades benéficas na noite de São João. Em Marsala, na Sicília, há uma nascente em uma gruta subterrânea, chamada Gritto della Sibila. Ao seu lado, há uma igreja de São João. Na véspera de São João, dia 23 de junho, mulheres e moças visitam e gruta e, ao beber da água profética, ficam sabendo se seus maridos são fiéis ou se casarão no próximo ano. Também os enfermos, acreditam que banhando-se nestas águas, ficarão curados de seus males. 

    O alcance destas crenças eram tão grandes, que a Igreja, acabou por achar melhor seguir uma política de acomodação, dando a estes ritos um nome cristão. E, ao procurar um santo para suplantar o patrono pagão de tais banhos, dificilmente poderiam ter encontrado um sucessor mais adequado do que São João Batista.

    Atualmente, os rituais de fertilidade estão representados no casamento caipira e, as antigas oferendas, deram lugar às simpatias, adivinhações e pedidos de graças aos santos. O santo mais requisitado é o SantoAntonio, conhecido como casamenteiro, que segundo reza uma lenda, levou três irmãs solteiras ao altar.
     

    O FOGO DA VIDA E DA PURIFICAÇÃO...      

    Também perduraram, desde os tempos imemoriais, os costumes de acender fogueiras e tochas, que livravam as plantas e colheitas dos espíritos maus que poderiam impedir a fertilidade.

    A festa de São João está também, diretamente relacionada como elemento "fogo". Analisando mais a fundo o simbolismo deste elemento, chegaremos a seus vários aspectos.

    O fogo é criação, nascimento, luz original, alegria e elemento que foi divinizado pelo homem. Este, submerso nos mistérios da noite, alegra-se quando seus olhos se abrem para a luz do dia, iluminados pelos raios benéficos do Sol. Mas o fogo também é destruidor, já que tudo queima e incinera. Esta ambivalência foi rapidamente observada pelos nossos antepassados que fizeram do fogo uma representação do bem e do mal. O fogo portanto, é princípio de vida, revelação, iluminação, purificação, mas também paixão e destruição. Dá a vida, mas volta a tirá-la e transforma-a em cinza.

    As fogueiras de São João, que queimam atualmente, na noitede 23 de junho (véspera da festa de São João), eram no começo, fogos de fertilização e purificação que se acendiam no dia do Solstício de Verão, na Europa (21 de junho), justamente antes das colheitas, em honra aos deuses para agradecer as suas bondades, ou imediatamente depois, para purificar a terra. As festividades de São João, portanto, celebram a vida, o Sol, o fogo transformador que consome o velho para criar algo novo.

    Quando os portugueses chegaram com seus jesuítas ao Brasil, em torno 1500, trouxeram em sua bagagem todas as suas crenças e costumes. Alguns cronistas contam que os jesuítas foram os primeiros a acender fogueiras e tochas para comemorar a festa de São João.

    Ela foi muito bem aceita pelo nosso indígena, pois se identificava com suas danças sagradas realizadas também, em torno do fogo. Os jesuítas, muito astutos, se utilizaram do interesse do índio pelas festas religiosas para atraí-los e estabelecerem contatos com objetivos de catequese.



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    ESCOLAS DE RIBEIRÃO PRETO FICAM ABAIXO DA MÉDIA

    As notas dos alunos de escolas estaduais de Ribeirão Preto ficaram abaixo da média das notas da região e do Estado de São Paulo. Isso é o que diz o Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), nova forma de avaliação do ensino usada pelo governo estadual.

    Para criar o índice de qualidade, foram considerados dois critérios. O desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), tendo em vista sua distribuição em quatro níveis de proficiência (abaixo do Básico, Básico, Adequado e Avançado), e o fluxo escolar em cada nível de ensino das escolas.

    O fluxo é determinado pela taxa de aprovação média em cada ciclo (4ª e 8ª séries do Fundamental e 3ª do Ensino Médio).

    Médias

    A média do Estado até 4ª série ficou em 3,23, até a 8ª série, em 2,54. No ensino médio, ficou em 1,41. Na região, foram 2,83 até 4ª série, 2,54 na 8ª série e 1,47 no ensino médio.

    As escolas em Ribeirão obtiveram nota abaixo disso. Para as escolas até a 4ª série, a nota ficou em 2,65, para 8ª série, 2,24, e o ensino médio ficou em 1,39.

    A rede estadual em Ribeirão possui 63 escolas, entre unidades de ensino fundamental e ensino médio. Em toda a Diretoria Regional de Ensino, são 97 unidades, em 14 cidades, com 92 mil alunos.

    Diretrizes

    Segundo as diretrizes do Idesp, as escolas, para conseguirem uma posição considerada ideal, teriam de ter nota 7 para a 4ª série, 6 para 8ª série e 5 para o ensino médio.

    Entre as 5.183 escolas da rede estadual em São Paulo, apenas 7 conseguiram os índices considerados adequados pela secretaria.

    Cada escola do estado tem uma meta para atingir neste ano. Estas metas serão utilizadas para garantir um sistema de bonificação para as escolas que atingiram as metas.

    Pontal e Serrana também vão mal

    Na região de Ribeirão Preto, o pior desempenho ficou com as escolas de ensino médio.
    De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Educação, Serrana e Pontal apresentaram as piores médias.

    Serrana conseguiu nota de 0,94, enquanto Pontal obteve nota de 0,97 para o ensino médio.
    Além de Ribeirão Preto, Serrana e Ponta, Bebedouro, Santa Rosa de Viterbo e Cajuru também obtivem nota inferior a média do Estado no ensino médio, que foi de 1,41.

    O segundo ciclo (até 8ª série) foi o que obteve o melhor desempenho na região. Barrinha foi a cidade que teve a nota mais alta, ficando com média de 3,84.



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    ONDE VAI CABER TANTOS AUTOMÓVEIS? A MÁQUINA DE VENENO...

    O governo, os empresários e a mídia comemoraram, em 2007, a produção de três milhões de automóveis no Brasil. Agora, ambicionam uma meta ainda maior. Grande parte desses carros foi vendida na cidade de São Paulo. Todos os dias, 650 novos automóveis (além de 250 motos) são licenciados. São apenas os últimos acréscimos a uma frota de seis milhões de veículos — a segunda do mundo. A capital paulista enfrenta um trânsito cada vez mais lento, forçando grande parte da população a passar horas e horas em congestionamentos.

    Apesar do aumento do preço do petróleo, a indústria automobilística mundial conhece um de seus maiores booms. Fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado veículos de 2.500 dólares, que cedo ou tarde chegarão aqui. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses.

    É perceptível que a velocidade de circulação nas cidades brasileiras está caindo rapidamente (o Rio de Janeiro está seguindo o caminho de São Paulo). Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo quanto da expansão sem barreiras da frota de veículos. A quantidade dos que rodam em São Paulo cresceu. Em um ano, houve um aumento de 7%, sendo três quartos automóveis que, normalmente, circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas (cerca de um milhão), autorizadas pela legislação em vigor a circular entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as mortes em acidentes.

    Os problemas não se restringem ao trânsito. A poluição, causada essencialmente pelos veículos, em São Paulo, voltou a piorar, agravando, também, as tendências ao aquecimento da região.

    Temendo desgastar-se, a prefeitura não adota medidas de restrição à circulação de veículos — como pedágios urbanos, praticados nas capitais européias, exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México) e da fiscalização (um terço da frota é irregular), maiores restrições a caminhões no centro ou a simples expansão das zonas azuis. Também não acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus, por pressão dos comerciantes e moradores das vias onde eles seriam implantados.

    O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são resultado da falta de investimento municipal na expansão do metrô nos últimos 32 anos. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (e seu gestor em vários governos conservadores) Roberto Scaringella foi mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana. Pressionada pela imprensa, a prefeitura acabou anunciando uma série de medidas, mas elas são cosméticas: redução do espaço para estacionamento em algumas ruas, divulgação de rotas alternativas às vias principais etc.

    A atuação do governo do Estado também é marcada pela inação. Ele não acelera a expansão do metrô e, tampouco, cumpre as metas de construção da Linha 4 - Amarela, onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos. Perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura, o governo, nem mesmo, geri uma integração adequada com a rede de ônibus.

    É absurdo que duas ou três horas por dia da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, em um estresse sem propósito. Mas o sistema do automóvel está tão profundamente arraigado no imaginário das pessoas que elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco. É aceito como natural ou inevitável, permitindo que governantes ajam de forma irresponsável.

    No entanto, como afirma o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, “é como se tivéssemos inventado uma máquina de produzir veneno e, todo dia, nos empenhássemos em aprimorá-la. A questão dos transportes é fundamental. Não se trata, puramente, de introduzir conforto. Trata-se de ver que, queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave. É repugnante ver a cidade congestionada de carros que não andam. A questão não é fazê-los andar, é ver que isso não tem saída, o transporte individual é uma bobagem. Construir túneis e viadutos é aprimorar a máquina do veneno. E já não importa que o carro não ande, porque você vê todo mundo lá dentro falando no celular, usando o laptop... É a rota do absurdo.

    O proprietário do carro impõe, a toda sociedade, custos que ele não paga no IPVA ou quando compra o automóvel. Ocupação do espaço público (50% do território urbano em São Paulo é dedicado ao transporte), perda de tempo, danos à saúde de milhões de pessoas etc. O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca.

    Parece evidente que não se pode esperar nada dos governantes! Esse é um problema que São Paulo só poderá enfrentar se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel. Uma mobilização com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o carro.

    E agora os moradores de São Paulo enfrentam as conseqüências da irracionalidade que representa a “racionalidade” do mercado. Cada um busca satisfazer seus desejos na lógica do transporte (ou do consumo) individual, sem que haja intervenção do poder regulador de caráter público tolhendo os absurdos que o consumismo carrega.

    Todas são questões que colocam a necessidade de outra vida e de outra organização da nossa sociedade em discussão.

    * José Correa Leite é professor universitário e membro da Associação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (ATTAC), integra a Secretaria e o Conselho Internacional do Fórum Social Mundial.




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    Modelo matemático explica evolução da culinária desde a Idade Média

    Pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) e da Faculdade de Medicina (FMRP) do campus de Ribeirão Preto da USP criaram uma teoria matemática que pode ser a chave para explicar a evolução da culinária desde a idade média. O estudo do grupo deu origem ao artigo “A natureza de não-equilíbrio da evolução culinária”, que foi destaque na versão online da revista Nature e na versão impressa da New Scientist, ambas britânicas. De acordo com a pesquisa, a culinária evoluiu inspirada na própria evolução genética.

    Foram estudadas 7.702 receitas e seus 3.394 ingredientes de quatro diferentes livros de culinária: “Dona Benta” (de cozinha brasileira, de três diferentes décadas diferentes — 1946, 1969 e 2004); o “Larousse Gastronomique” (de 2004, de culinária francesa), o “New Penguin Cookery Book” (cozinha inglesa) e o Pleyn Delit (de autoria de duas canadenses que reuniram receitas de vários séculos da idade média e de muitos países da Europa).

    O objetivo era verificar com qual freqüência um ingrediente aparece em cada um desses livros e qual a distribuição dessa freqüência dentro de cada culinária. Participaram da pesquisa os professores Antonio Carlos Roque da Silva Filho, Osame Kinouchi e o analista de sistemas Adriano de Jesus Holanda, todos da FFCLRP, além da professora Rosa Wanda Diez Garcia, da FMRP e do físico Pedro Zambianchi.

    Após criar e descrever um ranking de freqüência relativa dos ingredientes em cada um desses livros, ou seja, em quantas receitas cada ingrediente apareceu, os pesquisadores descobriram que essa freqüência é muito semelhante em todos os livros. A partir desse resultado o grupo buscou uma teoria que explicasse essa semelhança de freqüência relativa na culinária.

    Modelo biológico

    Os pesquisadores simularam no computador a evolução das receitas dentro de um modelo chamado de cópia e mutação, termo já conhecido na biologia. Uma determinada receita gera uma nova com a substituição aleatória, nesse caso, de quatro ingredientes. Isso por várias gerações, como uma mãe, suas filhas, netas, etc. Utilizaram esse processo até chegar ao número de receitas presentes nos livros pesquisados.

    Ao analisar o gráfico de distribuição de freqüência dessas “novas receitas”, não houve equivalência com o gráfico originário das receitas presentes nos livros. “Percebemos que precisávamos acrescentar na cópia e mutação das receitas o chamado fitness, que pode ser entendido como um elemento que caracterizasse um ingrediente, como sabor, disponibilidade, custo, entre outros”, conta Silva Filho.

    Para determinar o fitness de um ingrediente, os pesquisadores lhe atribuíram, também aleatoriamente, um valor que variou de 0 a 1. Foram substituídos somente os ingredientes cujo fitness do sorteado tivesse valor maior do que o do ingrediente da receita-mãe. Também foi ajustado o tamanho médio das receitas criadas ao tamanho das receitas presentes nos livros.

    “Simulamos o que ocorre na mutação genética, só permaneceram os de maior fitness. Com esse modelo, de mutação mais o fitness, o gráfico de distribuição de freqüência das “novas receitas” ficou muito próximo daquele criado a partir das receitas presentes nos livros. Então, concluímos que a culinária evoluiu inspirada na própria evolução genética”, diz Silva Filho.

    Efeito fundador

    Outro fator encontrado pelos pesquisadores que tem relação com a biologia foi o “efeito fundador”. Ao elaborar um gráfico de fitness dos ingredientes versus a posição no ranking, os pesquisadores encontraram ingredientes de fitness baixo, mas em ranking alto.

    “Chamamos isso de ‘efeito fundador’, o que ocorre também na genética. São características idiossincráticas de cada culinária. São ingredientes que estavam no início da culinária e mesmo que haja substituição ele acaba permanecendo, pois faz parte da cultura daquele povo, são os elementos fundadores. Em cada cultura existem os seus elementos fundadores. Mesmo não tendo um sabor agradável ou não sendo de fácil acesso.”

    Por outro lado eles encontraram aqueles ingredientes que mesmo com fitness alto não estão bem no ranking porque são novos na culinária, começaram a fazer parte há pouco tempo e ainda não houve tempo de se tornarem um elemento fundador.

    Distribuição de freqüência é uma área da ciência que tem despertado muito interesse, a das redes complexas, e tem revelado que as leis universais não acontecem só na culinária, mas na distribuição de filmes e atores, tamanho de cidades, palavras num texto, etc. “Esse é o ponto de convergência também dos livros de receita, a mesma lei de distribuição”, finaliza o professor Silva Filho.

    Fonte das informações: Rosemeire Soares Talamone, da Assessoria de Comunicação do campus de Ribeirão Preto da USP



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    O IMPULSO DE CONSUMIR

    Por Leonardo Boff

    A fome é uma constante em todas as sociedades históricas. Hoje, entretanto, ela assume dimensões vergonhosas e simplesmente cruéis. Revela uma humanidade que perdeu a compaixão e a piedade. Erradicar a fome é um imperativo humanístico, ético, social e ambiental. Uma pré-condição mais imediata e possível de ser posta logo em prática é um novo padrão de consumo.

    A sociedade dominante é notoriamente consumista. Dá centralidade ao consumo privado, sem auto-limite, como objetivo da própria sociedade e da vida das pessoas. Consome não apenas o necessário, o que é justificável, mas o supérfluo, o que questionavel. Esse consumismo só é possível porque as políticas econômicas que produzem os bens supérfluos são continuamente alimentadas, apoiadas e justificadas. Grande parte da produção se destina a gerar o que, na realidade, não precisamos para viver decentemente.

    Como se trata do supérfluo, recorrem-se a mecanismos de propaganda, de marketing e de persuasão para induzir as pessoas a consumir e a fazê-las crer que o supérfluo é necessário e fonte secreta da felicidade.

    O fundamental para este tipo de marketing é criar hábitos nos consumidores a tal ponto que se crie neles uma cultura consumista e a necessidade imperiosa de consumir. Mais e mais se suscitam necessidades artificiais e em função delas se monta a engrenagem da produção e da distribuição. As necessidades são ilimitadas, por estarem ancoradas no desejo que, por natureza, é ilimitado. Em razão disso, a produção tende a ser também ilimitada. Surge então uma sociedade, já denunciada por Marx, marcada por fetiches, albarrotada de bens supérfluos, pontilhada de shoppings, verdadeiros santuários do consumo, com altares cheios de ídolos milagreiros, mas ídolos, e, no termo, uma sociedade insatisfeita e vazia porque nada a sacia. Por isso, o consumo é crescente e nervoso, sem sabermos até quando a Terra finita aguentará essa exploração infinita de seus recursos.

    Não causa espanto o fato de o Presidente Bush conclamar a população para consumir mais e mais e assim salvar a economia em crise, lógico, à custa da sustentabilidade do planeta e de seus ecossistemas. Contra isso, cabe recordar as palavras de Robert Kennedy, em 18 de março de 1968: ”Não encontraremos um ideal para a nação nem uma satisfação pessoal na mera acumulação e no mero consumo de bens materiais. O PIB não contempla a beleza de nossa poesia, nem a solidez dos valores familiares, não mede nossa argúcia, nem a nossa coragem, nem a nossa compaixão, nem a nossa devoção à pátria. Mede tudo menos aquilo que torna a vida verdadeiramente digna de ser vivida”. Três meses depois foi assassinado.

    Para enfrentar o consumismo urge sermos conscientemente anti-cultura vigente. Há que se incorporar na vida cotidiana os quatro “erres” principais: reduzir os objetos de consumo, reutilizar os que já temos usado, reciclar os produtos dando-lhes outro fim e finalmente rejeitar o que é oferecido pelo marketing com fúria ou sutilmente para ser consumido.

    Sem este espírito de rebeldia consequente contra todo tipo de manipulação do desejo e com a vontade de seguir outros caminhos ditados pela moderação, pela justa medida e pelo consumo responsável e solidário, corremos o risco de cairmos nas insídias do consumismo, aumentando o número de famintos e empobrecendo o planeta já devastado.




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